André Kamai diz que prefeito apresenta “cidade imaginária” ao pontuar mensagem do Executivo

por Marcela Jansen publicado 04/02/2026 04h07, última modificação 04/02/2026 04h07

 

O vereador André Kamai, do PT, fez duras críticas à mensagem governamental apresentada pelo prefeito de Rio Branco, Tião Bocalom, durante sessão na Câmara Municipal, na terça-feira, 3. Em tom firme, Kamai afirmou que o prefeito apresentou uma cidade que não corresponde à realidade vivida pela população e questionou a falta de reconhecimento dos problemas enfrentados nos bairros.

Segundo o parlamentar, ignorar a existência dos problemas impede qualquer solução. “Quando alguém é incapaz de reconhecer que os problemas existem, essa pessoa é absolutamente incapaz de enfrentá-los”, afirmou. Kamai disse que percorreu bairros durante o recesso parlamentar e não reconheceu, na fala do prefeito, a cidade que encontrou nas ruas.

Para o vereador, os avanços descritos pelo Executivo não chegaram à periferia, à parte alta, à Baixada, à Cidade do Povo nem a regiões como Belo Jardim e Vista Linda. “Essa Rio Branco que o prefeito leu aqui não chegou nesses lugares”, declarou, ao criticar o distanciamento entre o discurso oficial e a realidade da população.

Um dos principais alvos das críticas foi a escolha do governo municipal de investir cerca de R$ 20 milhões em uma obra viária, enquanto ainda há moradores sem acesso à água. “Governar é fazer escolhas”, disse Kamai, ao afirmar que a gestão priorizou obras de impacto visual em detrimento de áreas básicas como saúde, saneamento, transporte público e pavimentação.

O vereador também questionou a postura do prefeito em relação ao debate político. Segundo ele, faltou disposição para permanecer na Câmara e ouvir críticas. “Os desleais não têm coragem de fazer o debate. Vêm, falam e vão embora”, afirmou, ao avaliar que a gestão estaria mais preocupada com projetos de cunho eleitoral do que com a execução orçamentária voltada às necessidades reais da cidade.

Por fim, Kamai defendeu que uma capital moderna não se mede por viadutos ou concreto. “Uma capital moderna é onde não tem fome, onde tem criança na escola, água na torneira e transporte coletivo de qualidade”, disse. Ele afirmou que a Câmara precisará seguir cobrando para que a cidade real — e não a apresentada nos discursos oficiais — seja, de fato, atendida pelo poder público.

Foto assessoria